Vivemos em um mundo que se depara constantemente em contradições, aparentes ou não. Por um lado, a sociedade capitalista moderna ou neoliberalismo procura solidificar estruturas econômicas, unificando nações, liberando barreiras mercadológicas,etc, por outro lado, fragmentaliza culturas e sociedades, excluindo indivíduos e suas tradições, sobretudo quando estes são alternativas viáveis à globalização marginalizadora. A diversidade esconde-se em meio à massificação imposta pela elite econômica.
A educação formal, deve insistir na busca da valorização à diversidade e o respeito ao multiculturalismo, como processo de inclusão democrática e real de indivíduos na sociedade e no resgate da dignidade de tantos indivíduos que querem ser "pessoas".
Esta "educação multicultural, instituiu nos sistemas de ensino a filosofia do pluralismo cultural ao reconhecer e valorizar a importância da diversidade étnica e cultural na configuração de estilos de vida,experiências sociais, identidades pessoais e oportunidades educacionais acessíveis..."(Gonçalves/2006)
É fundamental que a escola ressalte a universalidade buscando um "Homem racional" e um conhecimento geral mas, que isto não elimine o "Homem particular", suas peculiaridades, suas diferenças, que complementam-se.Tem que buscar a valorização das diferenças, pois são as particularidades que definem a identidade de cada pessoa. Não podemos esconder as diferenças sendo universalistas, nem tampouco tratar as pessoas ressaltando exacerbadamente suas diferenças, eliminando a luta por igualdade.
Esse dilema tem sido enfrentado em nossas escolas. Existem políticas afirmativas no campo da educação que vem responder estes anseios. Estas políticas voltam-se mais a atender os afrodescendentes em virtude da dívida histórica que nosso país tem para com estes povos e, também visam lutar por equidade de gênero.
Podemos citar a política de cotas raciais nas Universidades públicas e, a implementação das leis 10639/03 e 11645/08 que exigem que "a história e cultura afrodescendente e indígena" faça parte do currículo escolar,sobretudo, que sejam trabalhados em Arte, História e Literatura, como instrumentos de resgate e valorização da diversidade.
Este discurso não pode ser apenas retórica de especialistas mas, deve tornar-se prática diária em nossas escolas, para que elas tornem-se inclusivas, multiculturais, que respeitem as diferenças individuais e, façam destas diferenças elos de uma corrente única, mas diversificada. Ali, deve tornar-se ambiente de reflexão e prática de resgate da identidade e dignidade humana.
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